
Na última semana tivemos a oportunidade de acompanhar o otimismo dos nossos ministros e também uma retomada na Indústria que não acontecia desde setembro do ano passado. Trago alguns dados e depoimentos para que possamos refletir.
Depois de cinco meses consecutivos de queda, o emprego formal na indústria paulista cresceu 0,31% em março. Isso significa a ocupação de 7,5 mil vagas, segundo informou a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo - Fiesp, na semana passada. Segundo Paulo Francini, diretor do departamento de economia da Fiesp, a última vez em que o número havia sido positivo foi em setembro de 2008, quando os dados revelaram um crescimento de 0,41%.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou na última quarta-feira (15), durante audiência pública na comissão mista do Congresso Nacional que o Brasil entrou por último na crise, e, talvez, seja um dos primeiros a sair. “O que não impede que tenha havido uma forte desaceleração da economia. No último trimestre de 2008, tivemos queda forte do PIB [de 3,6% contra os três meses anteriores]. Vários setores perderam mercado e crédito. Porém, eu diria que a economia, em março e abril, já apresenta sinais de alguma recuperação. Posso dizer que acredito que o fundo do poço já passou no Brasil", afirmou Mantega.
O ministro também disse que a economia deve acelerar no segundo semestre e que o crescimento pode chegar a 3% ou 4%, fechando 2009 com PIB positivo.
E muita gente pode já estar pegando carona nos bons ventos trazidos pela expectativa de aumento na demanda das matérias-primas. É o caso da Vale do Rio Doce, que segundo um de seus porta-vozes, disse que os sinais de recuperação da demanda por minério de ferro e metais já são perceptivos. Após essas declarações, os papeis da Vale subiram rapidamente. Vale PNA chegou a valorizar 2,15 e a On +2,68, na semana passada.
Já a Gerdau, alcançou a maior alta entre as siderurgias, chegou a PN 2,86. Neste caso, a empresa também foi favorecida com o pacote habitacional brasileiro, já que fornece aço para a construção civil. Durante a semana, a Caixa Econômica Federal anunciou que o investimento previsto no programa Minha Casa, Minha Vida é de 15 bilhões. O setor de construção também reagiu ao anúncio da Caixa. Ações da Rossi residencial e Cyrela subiram durante a semana que passou.
Más notícias geram resultados negativos, assim como boas notícias geram reflexos positivos. Eu prefiro me concentrar nas boas notícias e usá-las como mola propulsora para as novas atitudes. Esse é o melhor resultado que podemos esperar da crise. Se num primeiro momento paramos para observar o novo cenário, agora é hora de movimento.
Vejo para o calendário como todos os dias do ano na minha frente, mês após mês, lembro da música ‘Águas de Março’ levando o verão e trazendo promessa. Lembro também que já estamos em final de abril, o ano corre a passos largos – com ou sem crise – com ou sem cautela. E nós temos de escrever o resultado do ano, então... deixe em março as águas da tempestade e mãos à obra porque podemos aproveitar os bons ventos, esses de otimismo e fazer o nosso ano.
Vamos olhar para o novo. É preciso abrir espaço para não correr o risco de perder o bonde da história. Renovar contatos, buscar novos fornecedores, novos acordos, novas parcerias. Olhar para os parceiros de hoje e ouvi-los para refazer as alianças. Todo esse movimento é de extrema importância em momentos de novos rumos, afinal renovar não significa começar do zero, mas caminhar rumo ao futuro trazendo consigo toda a experiência existente. É como arrumar a caixa de cartões de visitas, rever nomes, empresas, produtos. E colocar mais, e colocar outros.
É assim o nosso ambiente de negócios. Existem os percentuais, as estatísticas, os produtos e seus custos, seus lucros, mas atrás deles e acima de tudo, existem as pessoas. E são elas e o relacionamento que firmamos que nos impulsiona. Vamos terminar o mês de abril com a certeza de que poderemos escrever resultados importantes no final do ano.
Bom início de semana tendo a certeza de que agora é a hora do movimento!