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Eu acredito que posso

Semana passada morreu de um tumor no cérebro, descoberto em 2008, o último grande nome de uma família marcada pela política e por tragédias – Edward Kennedy ou Ted Kennedy, como era conhecido, o principal nome do senado americano, com uma incrível história de escândalos, lutas e superação, Ted fez de sua trajetória uma lição de vida.

Caçula de uma família democrata que deu aos EUA um presidente – John Kennedy e um fortíssimo pré-candidato ao cargo, Bob Kennedy. Ambos assassinados na mesma década. Estamos falando dos anos 60, época em que Ted Kennedy é eleito senador por Massachusetts pela primeira vez. Década também que protagonizou um escândalo que lhe custou sua candidatura à presidência da república -  ele não reportou à polícia o acidente de carro no qual a assistente e ex-assessora de Robert, Mary Jô Kopechne, de 28 anos de idade morreu. Ambos saíram de uma festa, Ted havia bebido em demasia. Aliás, abuso de álcool e drogas era uma constante nos noticiários e na vida do senador que no começo de sua vida pública era chamado de “o Kennedy playboy”, “o príncipe herdeiro”, entre outros codinomes que denegriam a sua imagem e pesavam em seu sobrenome.

Mesmo assim, Ted Kennedy continuou na política, superou momentos difíceis, enterrou todos os irmãos, sobrinhos, enfrentou fraquezas de vícios e ainda viveu o drama do enfrentamento do câncer em alguns membros da família, como o de sua mãe. A verdade é que quem acompanhava o noticiário americano na década de sessenta, não poderia supor que 46 anos depois assistiria sua morte entoada de respeito, pesar e agradecimento ao homem que ficou conhecido como o “Leão do Senado”. Esse é o resultado de luta. Resultado também daquele que acredita que pode fazer a diferença em um grupo, em uma comunidade e em um país.

A análise de sua trajetória me faz avaliar a importância do foco, do ajuste de caminhos e nos objetivos que temos. O legado político da família e as mortes brutais e prematuras de seus irmãos colocaram nos ombros de Ted Kennedy o imenso peso de escrever uma história de sucesso. E ele o fez quando parou de olhar para a história da família e refletiu apenas a sua imagem no espelho. Ele encontrou seu caminho no legislativo, deixou para trás a corrida pela Casa Branca e dedicou sua vida ao senado. Nesse cenário utilizou a herança da excepcional oratória própria dos ‘Kennedys’ e defendeu fervorosamente os direitos civis, os direitos dos imigrantes, salários mínimos justos e, especialmente, a melhoria do sistema de saúde pública.
Para mim ele deixa um legado particular: É possível se reinventar melhor e mais forte. É essencial buscar seu próprio caminho, sempre. E, acima de tudo, se você credita que pode fazer – ah!... eu te garanto que você pode!

É isso mesmo, acreditar nas mudanças, na melhoria do nosso cenário, na oportunidade de fazer melhor, e depois melhor, e melhor de novo é o que faz a diferença no caminho dos vencedores. Não importa se na vida pública ou na vida empresarial, não importa nem o tamanho do cargo. O que conta na hora de fazer a diferença é a sua capacidade de lutar sem desanimar.
A morte do Kennedy senador me fez relembrar a importância do foco no nosso trabalho. Seja qual for o cenário que estamos vivendo - se bom porque a crise do final do ano passado já se acomodou; ou se ruim porque ainda não se recuperou dos resultados desses meses de paradeira. A verdade é que não há caminho bom, o que existe é o jeito como se olha para a sua estrada. Eu acredito que Ted Kennedy enxergava a oportunidade e as encontrou.
Uma boa semana a todos.

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