
Um dos destaques econômicos da semana são os índices que confirmam que a inadimplência vem crescendo no Brasil.
Segundo dados divulgados pelo Banco Central na última quinta-feira (25), as taxas de juros de empréstimos caíram e a inadimplência aumentou. O BC informou que de abril para maio, a taxa geral de inadimplência pulou de 5,2% para 5,5%. Este é o maior índice desde setembro de 2000. Para pessoas jurídicas o percentual de 2,9% passou para 3,2%. Já para as pessoas físicas o índice subiu de 8,4% para 8,6%. Segundo o BC, o grande responsável pela inadimplência no mês de maio foi o cheque especial.
Será que esses dados são a comprovação do tamanho da crise pela qual estamos passando? Existe uma pequena parcela de crise, sim. Pessoas e empresas que não acreditavam que a crise viria tão forte, apostaram em resultados rápidos e certeiros. De repente, as coisas começaram a não dar certo.
Tem também o caso de desempregados, esses fazem suas vidas em cima de um orçamento e acreditam no salário no final do mês. Daí vem a recessão, a demissão e a inadimplência.
Será mesmo que as coisas acontecem assim? São esses os motivos que levam à inadimplência? Falta de planejamento - esse me parece um motivo mais plausível para dívidas. Afinal, não podemos contar sempre com um caminho sem nenhuma pedra para ser trabalhada, não é mesmo?
Existe uma pedra no meio do caminho...
Sempre falo sobre o empreendedorismo, sobre o valor das idéias, da coragem em enfrentar problemas, de ousar, de acreditar. Mas há de ser ter pé no chão, planejamento e uma boa dose de bom senso.
Será mesmo que precisamos de tudo aquilo que temos? Será que não daria para começar nosso negócio com uma só máquina, um espaço menor, uma recepção mais simples... será que não dá para deixar o ar condicionado de lado?
Conheço muito empresário que começa seu negócio como se ele já existisse há muito tempo. Precisa ser um grande escritório, uma grande sala, um grande número de funcionários, quadros na parede, plantas, talvez até a mão de um decorador... Claro que estar num ambiente bem cuidado anima, impressiona e funciona mais perfeitamente, mas qual o custo dessa decisão?
Eu já vi muitas grandes idéias se perderem em dívidas, grandes empreendedores desanimarem frente ao fracasso de um negócio. Na vida pessoal também já assisti casamentos desfeitos em meio às dívidas, tristeza em um montão de problemas. O mal da inadimplência está na falta de visão futura.
Empreender, ter grandes idéias, ter coragem de enfrentar problemas, de ousar e de acreditar é também saber caminhar, mesmo que a passos largos, mas com os próprios pés.
Um amigo meu que tem um negócio ligado à área de serviços montou sua empresa de forma que a cada trabalho realizado era extraído dele um percentual de caixa. Ele me dizia que só teria uma empresa sólida quando pudesse olhar para o seu ‘caixa’ e ver seis meses de todas as despesas fixas da empresa garantidas, contando com todos os valores, inclusive tributos. Assim ele o fez e sua empresa já passou por maus bocados, mas nunca esteve nem perto de fechar.
Esse é um exemplo de uma administração simples, de micro empresário, mas define claramente o planejamento. Você tem um ‘caixa’ com 6 meses de todas as suas despesas garantidas?
A simplicidade de pensamentos pode traduzir uma forma de pensar e colocar uma empresa em sua rota novamente. Arriscar, acreditar, enfrentar... tudo pode dar muito certo, mas sem planejamento...
Acredite: existem pedras no meio do caminho de todos nós e o que diferencia o bem sucedido do mal sucedido é seu poder de tirar essas pedras. Olhar para o futuro com a certeza da vitória é saber que no presente há um intenso trabalho a ser realizado, inspiração e transpiração, porque suar a camisa faz parte de quem tem grandes idéias.
Uma boa semana a todos com a coragem de arregaçar as mangas e enfrentar a vida. A gente consegue....
Até a próxima semana.
Rodrigo Barros