
Tenho recebido muitos e-mails de leitores que acompanham nossa coluna semanal. Alguns deles me pedem indicações bibliográficas para temas que comentamos. Aproveito para abordar um assunto de um livro que estou lendo: “A cabeça de Steve Jobs”, livro escrito por Leander Kahney, que, aliás, recomendo para quem gosta de biografias.
Em certo momento do livro o autor aborda a inovação em produtos versus inovação em negócios. Explico: Durante muito tempo a Apple foi vista como uma empresa criativa, mas empresas como Micorsoft e Dell eram as que executavam. Os especialistas faziam distinção entre empresas como a Apple, boas em inovação de produtos, e empresas como a Dell, que praticam inovação em negócios. Na história dos negócios, as companhias mais bem sucedidas não são as que inovam em produtos, mas sim as que desenvolvem modelos de negócios inovadores. Os inovadores em negócios pegam as invenções dos outros e as aprimoram, descobrindo novas maneiras de fabricá-las, comercializá-las ou até mesmo prestar o serviço. Podemos citar como exemplo Henry Ford, ele não inventou o automóvel, mas aperfeiçoou a produção em massa. A Dell não desenvolveu novos tipos de computadores, mas criou um eficiente sistema de distribuição direta ao consumidor.
Porém após voltar a Apple em 1997, Steve Jobs resolveu mudar esta visão. A Apple possuía um estoque de produtos equivalente a 70 dias empilhados em seus depósitos, Jobs lançou a sua loja virtual e em um ano seu estoque caiu de 70 para 30 dias.
Ele recrutou um novo diretor de operações e o encarregou de simplificar a complexa linha de montagem da companhia. Na época, a Apple comprava peças de mais de 100 fornecedores. O novo diretor terceirizou a maior parte do processo de fabricação para empresas estrangeiras na Irlanda, Cingapura e China. Reduziu o número de fornecedores de componentes básicos para 24 empresas e os persuadiu a criarem suas fabricas e depósitos próximos à linha de montagem da Apple, possibilitando uma operação de fabricação just in time extremamente eficiente. Hoje em dia o estoque é de 6 dias e a Apple comemora por ser a empresa mais enxuta na área de computadores e a segunda melhor empresa em cadeia de fornecedores no mundo, perdendo apenas para a Nokia.
Esse exemplo de um dos mais inovadores e empreendedores do mundo, Steve Jobs, nos mostra a importância de entendermos o foco do nosso negócio e definirmos quais são as prioridades. A Apple não deixou de ser inovadora em produtos, mas com uma estratégia de otimização passou também a ser inovadora em negócios. Você já pensou que podem existir braços em seu negócio que poderiam ser transformados em novas fontes de renda?
Acredito na importância de desenvolver novos produtos, mas entendo a necessidade de acharmos nos produtos já desenvolvidos, possibilidades de aprimoramento e geração de receita.
Quem sabe um diálogo entre o departamento de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e o departamento comercial, onde os produtos já desenvolvidos com pouco rendimento possam voltar ao P&D para serem aprimorados.
Como você avalia sua empresa nesse cenário? Inovadora em produtos, ou em negócios?
A inovação de um produto e/ou negócio pode sim surgir de um lampejo, uma idéia repentina, mas acredito nas idéias e experiências que podem ser trocadas entre os colaboradores da empresa, nos próprios corredores. Uma troca de telefonema sobre uma idéia nova a ser trabalhada, 15 minutos no café ou até mesmo uma reunião de novas idéias e sugestões, onde todos tenham a mesma liberdade para falar, pois o seu negócio pode multiplicar de tamanho através de uma nova e fantástica idéia. Hoje teremos o nosso encontro para trocar idéias e experiências aqui no grupo Segredo do Sucesso.
Tenha uma ótima semana e boas idéias.
Um abraço,
Rodrigo Barros