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Tinha uma pedra no meio do caminho...

Segunda-feira e já estamos na segunda metade do ano. Ai, ai, ai... tantos projetos que ainda não se realizaram, tantas coisas por fazer para que o balanço do ano seja positivo.
Segunda-feira começo da semana e muito que fazer. Bateu um certo desânimo? Foi nesse clima de suspirar profundamente para conquistar ânimo para tirar as pedras do meio do meu caminho que me lembrei dos Jogos Olímpicos de Athenas, aliás, de uma imagem específica, que ficou cravada na minha memória.
Não, não foi o ouro conquistado por antecipação de Torben Grael, nem a impecável campanha da equipe de ouro do vôlei de praia masculino, nem o ouro suado do também masculino vôlei de quadra.
Não foi o brilhante ouro da vela de Robert Scheidt, nem a prata do cavaleiro Rodrigo Pessoa ou a das meninas do vôlei de praia, nem das meninas do futebol, nem as duas de bronze do judô...
Mas sim a medalha de bronze de um quase azarão chamado Vanderlei Cordeiro de Lima, perdido em meio a um batalhão de velozes e incansáveis homens experientes que se juntaram para a maratona. Última prova destas olimpíadas. No caminho histórico retraçado para que estes homens vivessem a lenda de Eurípedes, Vanderlei Cordeiro de Lima, 35 anos na época, não estava, na cotação internacional, como um dos possíveis vencedores. Nem a imprensa brasileira contava com uma boa marca.
Chegar até o fim de uma corrida de 42 quilômetros cheios de subidas, descidas e curvas, num calor de 35 graus, já era uma comemoração. Mas não foi com esta displicência que o “De Lima”, como ficará escrito na história dos jogos, entrou na maratona.
A cena – todo mundo viu – todo mundo mesmo!
Logo nos primeiros quilômetros ele já começou a se destacar do grupo, abriu uma boa distância e continuou assim mais da metade da prova. De repente, o incalculável: um homem invadiu a pista, pulou em cima de Vanderlei Cordeiro da Silva e o derrubou no meio da torcida. Um velhinho, uma imagem muito parecida com a do Papai-Noel socorreu o atleta. Meio mancando e muito assustado, ele voltou à pista ainda em primeiro lugar, mas estava desconcentrado, com dores e bastante atônito com o que havia acontecido. Logo foi ultrapassado. Mas Vanderlei Cordeiro de Lima continuou sua trajetória. Chegou ao estádio e cruzou a linha de chegada em terceiro lugar – muito mais aplaudido e ovacionado que o ouro ou a prata.
Imediatamente jornais eletrônicos do mundo inteiro comentavam o inusitado. Falava-se do ouro conquistado. Da prata, ninguém comentou. Mas as manchetes, as fotos, e todas as atenções eram para o bronze do “De Lima”.
O comitê olímpico internacional ainda estudava o que fazer para ressarcir o atleta da loucura de um homem, da falta de segurança do percurso, da demora do policial em atender o atleta. O comitê brasileiro pleiteou duas medalhas de ouro para a prova. O pedido foi negado, mas Vanderlei Cordeiro da Silva recebeu, além do bronze, a medalha Pierre de Coubertin, dada em raros casos, a atos de grande esportividade.
“De Lima” foi muito mais que um bronze, mais que qualquer medalha. Ele representará a imagem mais impressionante dos Jogos Olímpicos de Athenas. Sua foto, sua história, seu feito – e mais – seu desencontro com o ouro, ficarão, para sempre, como a mais marcante história dessa olimpíada.
Você havia se esquecido desse episódio?
Tinha uma pedra no meio do caminho.
No meio do caminho tinha uma pedra...
Em época de Olimpíada, onde um segundo pode separar um ganhador de um perdedor, um milésimo de erro pode colocá-lo fora das páginas da história, tudo é possível.
E no nosso dia a dia, com tantas pedras num único caminho, o que fazer?
Superação. Essa é a palavra chave de tantos feitos históricos que escrevem páginas emocionantes dos livros de história. Superação não é apenas ultrapassar uma barreira, é não desistir em momento algum do seu caminho. Superação é quando você acredita que os problemas existem para serem resolvidos, e que todos têm uma solução. Superação e agir de forma grande, maior possível, super-ação. E é, em síntese, o que precisamos para escrever histórias de sucesso.
Tinha uma pedra no meio do caminho.
No meio do caminho tinha uma pedra...
Lembre-se do “De Lima” e tenha uma ótima semana.

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